ELEMENTOS BÁSICOS DA INTERCESSÃO

LEALDADE

Lealdade é a qualidade de ser fiel, verdadeiro, sincero, aquele com quem se pode contar. É aquele que vai com você até o fim. Deus é leal, fiel e busca os fiéis da Terra para que estejam com Ele. Sl 101:6

Lealdade é um princípio essencial para a família e a Igreja. Nosso amor não pode ser fingido. I Pe 1:22,23

Ser leal é permanecer juntos mesmo que as circunstâncias sejam difíceis. Lc 22:28

Muitas pessoas nos amam por motivações estranhas.

Elas amam enquanto estão recebendo algo de nós, estão se beneficiando.

Porém, quando deixamos de dar a elas o que querem ou quando já estão supridas, afastam-se de nós e, pasmem, há até as que passam a nos odiar.

Na hora da exortação, muitos que se dizem leais fogem do arraial.

O leal, porém, não abre mão do outro por circunstância nenhuma.

Lealdade é um princípio espiritual, um princípio para ser vivido.

Provérbios 27.5,6 Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo amigo, mas os beijos do inimigo são enganosos.

Verdade Central  desse versículo: A lealdade vai além do discurso. Lealdade é o caráter ornado na verdade absoluta.

E é esse manto de verdade absoluta que o Senhor quer colocar sobre a nossa vida.

Lealdade e Fidelidade

Fidelidade é um pacto social, institucional, espiritual, emocional, físico, entre aqueles que são da mesma natureza, que têm o mesmo pensamento e o mesmo valor. É a mesma natureza que se une. O leão se une à leoa; o homem se une à mulher.

Lealdade é ter natureza diferente, mas conseguir coexistir. É aliança entre seres de naturezas diferentes, que se respeitam e se suportam apesar das diferenças. É fácil ser fiel com a mesma natureza, com o mesmo pensamento, com os mesmos discursos. Porém, quando entra a questão de pensamento diferente, muitos não são mais fiéis, não caminham mais juntos.

Na lealdade, a pessoa é leal ainda que o outro seja desleal, é fiel, ainda que o outro seja infiel. O leal age com lealdade, porque tem uma natureza transformada, regenerada. Tudo está no campo do novo nascimento.

Lealdade é conviver com os diferentes e respeitar os pensamentos. A convivência denuncia que não somos apenas fiéis, somos leais. É um upgrade da honra. Além de sermos fiéis, pois tínhamos a mesma natureza mesmo sendo diferentes, continuamos leais um ao outro.

Deus deseja derramar essa graça sobre a sua vida para fazer com que você seja forte. Assim, se o fraco vier na sua direção, você terá tanto da vida de Deus, que abençoará essa pessoa e derramará do caráter de Deus sobre ela.

Eu sou fiel naquilo que já entrou a essência de Deus na minha vida e com as pessoas para as quais eu declarei fidelidade. Mas a lealdade é um amadurecimento, pois só os leais suportam o desgosto, a decepção e se mantêm firmes.

Perigos que roubam a lealdade:

1) Espírito independente – A pessoa não gosta de dar satisfações a ninguém.

Faz o que quer na hora que quer.

Ofensas não resolvidas – Todos podem ser feridos ou decepcionados em algum momento.

Precisamos aprender a resolver os problemas, perdoando e pedindo perdão. Cl 3.13,14

2) Passividade – É quando não queremos nos envolver na obra do Senhor.

Ficamos observando a vida dos outros e vendo as falhas deles, como religiosos. Mt 7:1-5

3) Espírito crítico – É quando passamos a comentar os defeitos e problemas com pessoas que não podem resolver nada.

O leal não fala nas costas. Tg 4:11.

A maledicência e a murmuração não cabem na vida de uma pessoa que é verdadeira e leal. Rebeldia – É um estágio da deslealdade em que a pessoa se levanta contra seus irmãos e liderança e passa a lutar contra a sua família natural ou família na fé. Jesus ensinou seus discípulos o caminho da lealdade.

Mesmo assim eles quando os soldados vieram prender a Jesus; Pedro negou conhecer Jesus por medo de ser preso; Judas planejou e finalmente traiu Jesus por 30 moedas de prata.

Dos 12 discípulos, 11 voltaram ao seu Senhor e permaneceram juntos.

Eles a partir de então se tornaram leais a Jesus e deram suas vidas para levarem o evangelho a todo o mundo. Judas se afastou de todos e depois, tomado de remorso, se suicidou.

Quem não é leal, acaba morrendo espiritualmente.

Desenvolvendo uma cultura de lealdade

 

1) Seja transparente com sua liderança sobre suas dificuldades. Seja na área moral, familiar, vida financeira e profissional. Seja transparente a respeito de sua vida espiritual e suas dificuldades dentro da Igreja.

 

2) Não guarde mágoas. Mt 18:15,35

 

3) Seja transparente se pensar diferente sobre algum assunto, conversando com seu líder e seu pastor e acatando suas orientações. Não alimente dúvidas.

 

4) Não segure uma informação que comprometa a Igreja ou sua liderança.

 

Questione a fonte e defenda a Igreja. Se tiver dúvidas, busque conselho.

 

5) A lealdade é baseada em princípios e não em sentimentos. Podemos não sentir vontade de obedecer algo, mas se está de acordo com a Palavra devemos honrar nossa liderança e andar juntos.

 

6) Não participe de conversas em que há maledicência e murmuração. Tg 4:11

 

7) Não permita que seu coração seja ingrato por tudo de bom que você recebeu de seus líderes e de sua Igreja. “Não cuspa no prato em que você comeu.”

 

8) Não seja uma pessoa que sempre dá desculpas e se justifica.

 

Aceite conselhos e correção. Se for necessária alguma disciplina, aceite, pois é para seu bem.

 

9) Uma pessoa leal não permite ciúmes e competição crescer no seu coração.

 

Uma pessoa leal é leal primeiramente ao Senhor e não busca reconhecimento de seu trabalho, pois o que faz, faz por amor a Jesus e à sua Igreja. Lc 22:24-27

 

10) Uma pessoa leal procura participar no máximo de reuniões da Igreja possível e valoriza a pontualidade.

 

11) A pessoa leal aprende a expressar sua gratidão e amor às pessoas. Elogie-as sempre que possível.

 

12) A pessoa leal anota as palavras ou conselhos que seu líder ou pastor lhe dá para não se esquecer.

 

Jesus foi totalmente leal aos seus discípulos. Então por que Judas o traiu?

 

É provável que Judas no início fosse uma pessoa confiável.

 

Se não, Jesus não lhe teria confiado a contabilidade das ofertas.

 

Ele era o tesoureiro do ministério de Jesus. Jo 13:21,26-30.

 

Durante a caminhada com Jesus, Judas não entendeu a proposta de Jesus.

 

Ele não entendeu como ele havia deixado tudo para seguir alguém cuja missão era a morte.

 

Ele se frustrou, pois pensava que seguir Jesus traria a ele status, benefícios e aspirações que ele tinha.

 

Ele não entendeu o que era tomar a sua cruz dia a dia e receber a natureza de Jesus no seu coração.

 

Enfim seu coração se tornou frio e desleal e 30 moedas de prata foram o suficiente para que ele traísse o seu Senhor. (Estudiosos tem dito que hoje o valor convertido seria em torno de 50.000 reais, dinheiro que daria para comprar uma pequena propriedade).

 

Em toda Igreja, algum Judas se manifesta.

 

O Judas é aquele que por se decepcionar por alguma coisa, vai nutrindo em seu coração pensamentos e sentimentos desleais, sentimentos de superioridade e desvalorização de seu mestre.

 

O Judas pode se manifestar onde você menos espera.

 

Pessoas que em um dado momento da história revelam um coração interesseiro, avarento, rebelde, que trocarão sua Igreja e sua liderança por qualquer proposta que alguém de fora lhe fizer.

 

Judas traiu Jesus por 30 moedas de prata.

 

Depois, foi tomado de remorso, mas não houve caminho de retorno. Os Judas infelizmente entram por um caminho de suicídio espiritual.

 

Precisamos pedir ao Senhor que nos dê um coração leal, fiel, verdadeiro, sincero!

 

Um coração puro, sem máscaras, sem fingimentos!

 

Um coração que não irá jamais trair ao Senhor e à nossa liderança, nem à Igreja onde o Senhor  nos colocou.

 

Família é coisa sagrada! Família de Deus é coisa que não se mexe, não se divide, não se trai, não se abandona.

 

Que esta cultura de lealdade domine nossa mente e coração todos os dias da nossa vida!

 

Que sejamos para sempre fieis companheiros na aflição e no reino!

 

Que eu e você possamos receber o maior título que um servo de Deus possa receber nesta terra: O título de FIEL!

 

Exemplo da lealdade de Jônatas  por Davi

I Samuel 18:1-4 E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.

Na história de Davi e Jônatas, aprendemos que homens leais caminham na fidelidade, na honra, e se não houver o entendimento de honra e fidelidade, a lealdade cobre todos esses defeitos. A lealdade é um exercício espiritual.

Em relação a Davi, muitos só descobriram sua lealdade depois, porque não existe nenhum esforço da parte de Davi jurando lealdade a Jônatas.

Existe, sim, uma ação escancarada de Jônatas jurando lealdade a Davi.

Jônatas entendia que seu pai, Saul, era rei, mas que Deus havia ungido e separado Davi para reinar.

Jônatas não estava sendo infiel ao seu pai, mas estava sendo leal ao manto. As pessoas que vão viver o princípio da honra têm que passar pelo teste da lealdade ao manto.

Mais vale ficar debaixo do manto leal do que apregoar uma fidelidade que não existe.

A Bíblia diz que Jônatas fez uma entrega a Davi, a quem era fiel e leal, a quem elegeu como amigo, mesmo sabendo que herdaria o trono no seu lugar.

O que Jônatas fez para provar sua lealdade? Entregou os armamentos de ameaça. Vejamos que armamentos eram esses e quais seus significados.

 

O exemplo de Rute (Lealdade de Deus)

 

Texto base: Rute 1.1-22

 

Nem sempre os acontecimentos em nossa vida parecem revelar que Deus é bom e leal.

Constantemente, passamos por situações que abalam nosso nível de confiança nas ações divinas como sendo benéficas e achamos que ele se esqueceu de nós, ou, até mesmo, nos traiu a confiança que depositávamos nele.

Entretanto, em muitos lugares, a Bíblia nos informa que Deus é bom, fiel e leal com os seus projetos e isso inclui, necessariamente, aqueles a quem ele ama e preserva.

O que acontece, de fato, é que nossa compreensão da realidade é equivocada. 

Na realidade, a bondade de Deus está acima de nossa compreensão acerca da realidade e que necessitamos, continuamente, retornar às Escrituras para vermos nelas a revelação da bondade de Deus e de sua lealdade para conosco.

Uma advertência importante que serve para todos nós é: não extraia o conceito da bondade ou de lealdade de Deus a partir somente de suas experiências diárias, pois elas podem, e comumente o fazem, trair você em seu entendimento acerca de quem Deus é; mas, ao contrário, que você se fixe na Bíblia, nossa única realidade verdadeira e mantenedora dos conceitos divinos. 

 

I. A BONDADE DE DEUS SE REVELA NA NOSSA BENEVOLÊNCIA COM OS OUTROS

 

Em Filipenses 2.3,4, Paulo nos instrui dizendo: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.

Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros”.

O objetivo do apóstolo é mostrar que a vida humana só tem sentido na sua relação com o outro, que é o nosso espelho, a nossa imagem, porque somos ambos a imagem de Deus.

Não há razões, portanto, para que desejemos ser maiores ou melhores do que o próximo.

Em Rute 1.16,17, vemos, com clareza, a ação da bondade de Deus na relação entre Rute e Noemi, apontando, satisfatoriamente, para a compreensão da bondade de Deus, expressa na lealdade para com o próximo:

“Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. 

Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o Senhor o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti”.

Esta é uma das mais belas declarações de lealdade da Bíblia.

Alguns, inclusive, costumam usá-lo em casamentos, o que não é adequado, porque se refere a um relacionamento de Rute, que era nora, com Noemi, sua sogra.

Mas, de modo expansivo, aplica-se a qualquer relação interpessoal, porque o amor derramado por Cristo em nossos corações deve nos capacitar a amarmos ao próximo como ele mesmo nos amou.

Devemos ser leais às pessoas não porque elas são sempre leais conosco, mas porque Deus é leal conosco, e a sua misericórdia dura para sempre (Sl 136), mesmo quando somos infiéis.

Assim sendo, esta compreensão altruísta, de ver o outro como o seu próprio espelho, é demonstração da bondade e da misericórdia de Deus sobre as nossas vidas.

Além do grande exemplo de lealdade de Rute, mais gloriosa ainda é a sua declaração de fé: “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.

Rute declara que agora ela faz parte de uma nova nação. Rute era moabita.

Devemos nos lembrar da origem desse povo tão controvertido nas Escrituras.

Quando Ló saiu de Sodoma, sua esposa, por ter olhado para trás, tornou-se estátua de sal (Gn 19.26), e Ló não tinha filho homem, apenas duas filhas, ou seja, a existência de sua descendência estava comprometida.

Preocupadas com essa questão, as suas filhas decidiram dar-lhe filhos, onde cometeu-se o incesto. Elas o embriagaram, cada uma numa noite, e conceberam dele. 

A primogênita deu à luz a Moabe, donde originaram-se os moabitas, e a mais nova a Bem-Ami, que deu origem aos amonitas (Gn 19.30-38).

Comprovou-se o fracasso do projeto das filhas de Ló, pois os moabitas se tornaram provação e tropeço para Israel (Nm 21.29; 22.7; Js 24.9; Jz 3.12-30; 1Sm 14.47; 2Rs 3.1-27; Is 15–16), embora Deus preservara o território de Moabe para os filhos de Ló (Dt 2.8,9).

Apesar do histórico comprometedor desse povo, Deus mostrou que a sua graça não se restringe a uma nação apenas. Israel era a sua nação peculiar (Dt 7.7,8), para que se tornasse vitrine de sua glória para todas as nações (Dt 4.6-8).

Rute viu esta glória e decidiu fazer de Israel a sua nação, renunciando a Moabe. Ela também renunciou aos seus deuses para servir tão somente ao Senhor, Deus de Israel.

A bondade de Rute mostrou que ela também havia se tornado vitrine da glória de Deus. O que Jesus ensinou no sermão do monte pode ser aplicado a ela: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16);

e Paulo em outro lugar: “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15).

II. A LEALDADE DE DEUS FUNDAMENTA NOSSAS DECISÕES DIÁRIAS

 

Algumas vezes, temos dúvidas ao tomar decisões, especialmente aquelas que afetam diretamente os nossos interesses mais profundos e que, por consequência interferem na realidade dos outros.

Qual é a base para confiarmos nas pessoas? Que critérios utilizamos para subsidiar nossas escolhas pessoais?

Em Rute 3.9-13, vemos que o critério utilizado por Boaz foi a benevolência de Rute. O texto nos diz: “Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque és tu resgatador. Disse ele: Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira, pois não foste após jovens, quer pobres, quer ricos”.

Percebemos que as decisões de Rute não eram interesseiras.

Ela tinha um pacto de lealdade que ultrapassava suas possíveis questões pessoais. Esta característica é percebida em Rute por Boaz, o que o faz estabelecer uma aliança conjugal com ela.

Nossa sociedade não se interessa muito por lealdade.

Todos os dias, as pessoas traem umas às outras. O que interessa, realmente, é a manutenção dos próprios interesses.

Vemos isto na política, quando os governantes não se importam com a população, mas, ao contrário, se enriquecem às custas das contribuições públicas; vemos também nas relações comerciais, quando os negociantes extorquem seus clientes em busca de lucros maiores; vemos, até mesmo, nas igrejas, quando o evangelho é mercadejado e “vendido” como um bem de consumo, que as pessoas podem usufruir e, depois de um tempo, renová-lo, pois já não atende aos seus caprichos.

Assim, o que Rute nos ensina é que a lealdade precede os nossos próprios interesses. 

 

O elogio de Boaz a Rute foi grandioso: “Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa” (3.11). 

 

A. Característica dos filhos de Deus

 

O salmo 15, dentre tantas características imprescindíveis que devem ser encontrados nos filhos de Deus, é dito que aquele que habita no tabernáculo de Deus: “jura com dano próprio e não se retrata” (Sl 15.4b), isto é, sua lealdade se comprova na sua palavra, ou de outro modo, é aquela pessoa de uma palavra só. Deus não se agrada de ter filhos dúbios, covardes ou de duas personalidades.

Tal como ele é único e não se contradiz, nem se arrepende (Nm 23.19; 1Sm 15.29; Tt 1.2), assim ele quer que sejam seus filhos, verdadeiros, fiéis e leais.

Este é um princípio fundamental da aliança, pois nenhuma pode subsistir sem lealdade. A traição destrói casamentos, amizades e confianças. 

Tiago fala do homem de ânimo dobre, isto é, um homem dividido entre duas opiniões divergentes, de caráter falho e indigno de confiança: “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (Tg 1.7,8);

e mais à frente ele convida pessoas assim a se arrependerem: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração” (Tg 4.8).

Nos frutos do Espírito Paulo não cita a palavra “lealdade”, mas cita, tendo o mesmo significado, “fidelidade” (Gl 5.22), o que indica que aqueles que são verdadeiros filhos de Deus e templos do Espírito Santo, têm, necessariamente, essa característica.

Portanto, devemos demonstrar o nosso caráter aprovado diante de Deus e dos homens por meio de um comportamento irrepreensível, tornando-os confiáveis e leais, não a pessoas ou a interesses próprios, mas leais a Deus e à sua Palavra, que, por consequência nos tornará fiéis também às pessoas.

B. Os recabitas – Jeremias 35

 

Em Jeremias 35 está registrado o exemplo de homens leais que agiram conforme a vontade de Deus e, por esta razão, foram recompensados e serviram de ilustração para o profeta mostrar ao povo aquilo que Deus esperava dele.

Os recabitas foram usados como exemplo num contexto em que Judá comprovava a sua dureza de coração e sua vida incorrigível de transgressão e idolatria, desobedecendo deliberadamente a lei de Deus. Eles eram filhos de Jonadabe, que era filho de Recabe. 

Jeremias foi enviado pelo Senhor para pôr diante deles taças de vinho e oferecer- lhes para beber (35.1-5).

Porém, ao fazer isso, os recabitas responderam a Jeremias que não o fariam, porque Recabe havia estabelecido uma lei para toda a sua geração, que eles jamais beberiam vinho, nem edificariam casas, nem plantariam sementeiras ou qualquer plantação e nem teriam vinha, mas viveriam em tendas (35.6-11).

Deus louvou a atitude dos recabitas e mostrou o grande mal de Judá, pois em contrapartida, teimavam nos seus pecados: “Visto que os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, guardaram o mandamento de seu pai, que ele lhes ordenara, mas este povo não me obedeceu, por isso, assim diz o Senhor, o Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre Judá e sobre todos os moradores de Jerusalém todo o mal que falei contra eles; pois lhes tenho falado, e não me obedeceram, clamei a eles, e não responderam” (35.16,17).

Aos recabitas foi-lhes prometido que jamais faltaria homem em sua descendência que vivesse na presença do Senhor (35.18,19).

A lealdade de Rute e dos recabitas é aquela que Deus quer ver em todos nós que confessamos o seu nome e declaramos que ele é o nosso Senhor. 

 

III. A LEALDADE DE DEUS NOS TRAZ ESPERANÇA

 

As decisões cristãs são, todas elas, muito complexas. Essa complexidade tem a ver com as constantes contradições entre as propostas do mundo, nossas inclinações e, por outro lado, o desejo de Deus para nós comunicado em sua Palavra. Assim, somos sempre levados como ovelhas ao matadouro (Rm 8.36; Sl 44.22), isto é, nos dispomos ao prejuízo e à humilhação por causa dos nossos princípios bíblicos inegociáveis.

Elas nos fazem demonstrar aquilo que somos e em que ou quem cremos.

Esta profissão de fé contínua é o que Deus exige de nós a fim de demonstrarmos nossa lealdade a ele.

Rute nos mostra que a lealdade de Deus para com os seus planos é a garantia de um futuro vitorioso, e independe de nossos escorregões ao longo da vida e de nossas decisões equivocadas.

Se dependêssemos de nossos acertos sempre, continuaríamos perdidos.

Não temos condições de acertar sempre, porque somos pecadores. O que nos garante vitória nas decisões é a nossa certeza na fidelidade de Deus.

Não depositamos a nossa fé nos homens, em nós mesmos ou em qualquer bem que esse mundo possa oferecer, mas tão somente em Jesus Cristo, a prova cabal da fidelidade de Deus.

Em 1.8, lemos: “Disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo”.

A oração de Noemi em favor de suas noras foi para que o Senhor as cobrisse de benevolência. Vemos que o padrão de benevolência que Noemi expõe para suas noras provém do Senhor.

Ela agiu como espelho da glória de Deus, pois Deus, em seu lugar, faria o que ela fez, se disporia ao sacrifício por amor dos seus, como de fato o fez em Cristo Jesus. Como dito acima, a benevolência de Noemi refletiu fielmente a benevolência de Deus.

E foi exatamente esta maneira de agir que fez com que Rute resolvesse ficar com sua sogra. Se Rute tivesse usado sua própria razão e seus próprios interesses não teria explicação para sua escolha. 

Entretanto, foi a sua conversão ao Deus de Israel e a certeza da sua bênção que a fez tomar decisão tão acertada.

Sempre que nos amparamos na lealdade de Deus podemos ficar tranquilos ao longo de nossas vidas.

 

Se temos em quem nos apoiar, em quem confiar, não somente no dia a dia, mas sabendo que nosso futuro já está guardado e Deus tem um bom propósito estabelecido para todos aqueles que o amam.

 

Vivemos sob a sombra dessa árvore frondosa que é a lealdade de Deus (Sl 91.1). 

 

CONCLUSÃO

 

Deus é bom para conosco e leal em todos os seus projetos. Ele não nos desamparará. 

Ainda que, dia a dia, provemos não ser capazes de entender os planos de Deus, ele nos garante a sua proteção e o seu conselho.

Portanto, não precisamos viver afoitos ou soltos nas incertezas, porque temos aquele em quem está posta a nossa esperança, pois ele é leal conosco sempre.

A fidelidade de Deus foi às últimas consequências quando ele enviou o seu filho para ser crucificado e morrer em nosso lugar (Rm 8.32).

Somos estimulados, pelo exemplo de Rute com Noemi, a viver num padrão exemplar, agindo com retidão, pureza de coração e santidade. 

A lealdade deve ser testemunhada em nosso procedimento e evidenciada por meio da coerência das nossas palavras com a nossa vida.

Mesmo quando as circunstâncias são ruins e não há evidência de boas perspectivas pela frente, assim como Rute e Noemi não sabiam o que seria delas, Deus permanece fiel em seus planos e abençoam aqueles que se mantêm leais à sua Palavra. 

Cabe a todos os filhos de Deus, sem questionar ou duvidar de seus métodos, fazer como Rute, agir sempre com benignidade, bondade e fidelidade, mantendo a esperança tão somente da bondade providencial de Deus, pois ele nunca falha.

Hoje Deus nos chama a ter um coração leal. Principalmente leal e fiel a Ele, mas também leal à sua família e Igreja.

Nunca se afaste de seus irmãos em Cristo! Nunca deixe de congregar- Hb 10.25, de estar junto, de ser leal!

Assim você amadurecerá espiritualmente, emocionalmente e verá a prosperidade do Senhor em sua vida em todas as áreas…

Pois Ele é leal a nós! “SÊ FIEL (LEAL) ATÉ A MORTE, E DAR-TE-EI A COROADAVIDA.” Ap 2:10c